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DOENÇAS MAIS COMUNS DAS MULHERES

Existen  doenças que afetam mais as mulheres do que os homens, e existem outras doenças que são exclusivas das mulheres. De entre todas as doenças passíveis de atingir o sexo feminino as mais comuns seriam :
  1. Câncer de mama

  2. O câncer da mama é um tumor maligno provocado pelo desenvolvimento descontrolado das células, o que origina a formação de um ou mais nódulos na mama. De acordo com estudos clínicos já efetuados, este é o câncero mais mortífero e também o mais comum entre a população do sexo feminino, no entanto, aproximadamente 85% das mulheres com câncer da mama conseguem recuperar. Não existe uma causa concreta para o surgimento desta doença, mas existem fatores de risco que podem instigar ou acelerar o seu desenvolvimento. Entre esses fatores encontram-se a idade (acima dos 50 anos o risco aumenta), a existência de casos de câncer na família, não ter filhos ou tê-los depois dos 30 anos, excesso de peso, elevado consumo de álcool e vida sedentária, entre outros.

    Prevenção do câncer da mama

    A luta contra o câncer da mama tem que começar muito antes de ele surgir e a atitude preventiva deve procurar agir sobre os fatores passíveis de serem controlados. Evitar o consumo de bebidas alcoólicas, evitar o excesso de peso mantendo uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes, não fumar, amamentar (no caso das mulheres com filhos), praticar exercício físico de forma regular, e efetuar o diagnóstico precoce do câncer da mama. O diagnóstico precoce engloba o autoexame da mama, o exame clínico da mama e a mamografia.

  3. Câncer do colo do útero

  4. Este câncer é o quarto mais comum entre a população feminina, afetando na sua maioria mulheres entre os 50 e os 60 anos de idade. Manifestando-se normalmente depois da menopausa , o câncero do colo do útero é uma das chamadas “doenças lentas”, uma vez que pode demorar entre 10 a 20 anos até se desenvolver.

    Prevenção do câncer do colo do útero

    Uma vez que se trata do câncer mais frequente do aparelho reprodutor feminino, as consultas regulares no ginecologista são essenciais para a realização dos exames de rotina sendo a melhor forma de se diagnosticar lesões precursoras do câncer do colo do útero ainda em fase inicial . Sabemos hoje que o vírus HPV ( papiloma vírus humano ) entra como o mais importante agente etiológico da doença e sua forma de transmissão quase sempre é sexual , portanto a promiscuidade sexual da mulher ou do parceiro  pesam muito no aparecimento da doença . Atualmente dispomos das vacinas para os HPV de alto risco para câncer de colo  ( Vacina bivalentes e quadrivalentes e com perspectiva da chegada no mercado da vacina nonavalente ) .

  5. Infeção urinária

  6. Cerca de 80 a 90% das pessoas que sofrem de infeções urinárias são mulheres. A infeção urinária é a presença anormal de micro-organismos numa zona do percurso urinário. Esta doença incide mais nas mulheres a partir da idade reprodutiva e estende-se até à idade da menopausa. Surge quando existe uma queda do estrogénio e dos micro-organismos que protegem esta região mais íntima do corpo feminino, principalmente como consequência de relações sexuais desprotegidas ou devido à presença de bactérias gastrointestinais que migram até à região da bexiga. Só muito raramente as infeções urinárias acontecem pela via da circulação sanguínea.

    Prevenção das infeções urinárias

    Existem algumas medidas que devem ser observadas para prevenir as infeções urinárias. Entre elas podemos contar a ingestão de líquidos em quantidades saudáveis, a micção antes e depois das relações sexuais, a não retenção de urina em situações do quotidiano,  a manutenção do correto funcionamento do aparelho digestivo, nomeadamente através de uma alimentação saudável e equilibrada. O uso de preservativo durante s as relações sexuais, a higiene diária e a limpeza correta após as micçõs, são outras formas preventivas das infeções urinárias.

  7. Candidíase

  8. Pelo menos uma vez na vida, e a acreditar nas estatísticas, cerca de 75% das mulheres tem candidíase; e entre 20 a 25% das mulheres que apresentam corrimentos genitais sofre desta doença. Segundo alguns especialistas, a candidíase não se encaixa na categoria de doença sexualmente transmissível uma vez que pode ocorrer na ausência de relações sexuais. A candidíase é uma infeção originada pelo fungo Cândida sp Monília e caracteriza-se pelo corrimento de cor esbranquiçada, espesso e grumoso, normalmente acompanhado por irritação no local, ardor e muito prurido ( coceira ) .

    Prevenção da candidíase

    Usar preservativo, secar bem a pele depois do banho, manter uma alimentação saudável e equilibrada, assegurar uma higiene adequada na região genital, evitar o uso diário de absorventes, evitar o uso de papel higiénico perfumado, preferir calças mais largas e deixar de lado as roupas interiores de tecidos sintéticos são algumas das ações preventivas a tomar contra a candidíase.

  9. Vaginose bacteriana

  10. Apesar de também ocorrer devido a contatos íntimos ou a relações sexuais, esta doença não é considerada uma doença sexualmente transmissível, uma vez que algumas das bactérias causadoras existem habitualmente no ser humano. A vaginose bacteriana é uma infeção genital provocada por bactérias. Esta doença pode levar à candidíase e é a causa mais comum do corrimento genital, caracterizando-se por um desequilíbrio da flora vaginal que provoca o aumento da concentração de bactérias. O odor desagradável característico da vaginose aumenta durante o período menstrual. Esta infeção é mais frequente em mulheres na idade reprodutiva.

    Prevenção da vaginose bacteriana

    Utilizar preservativo  as relações sexuais, manter uma higiene íntima adequada, evitar ducha vaginais e bidés, pois, estes podem revelar-se locais propícios às bactérias e limpar sempre a vagina da parte da frente para a parte de trás, para que as bactérias da região do ânus não se desloquem para a região vaginal.

  11. Corrimento ou vaginite

  12. É uma secreção anormal expelida pela vagina e que se caracteriza por um odor desagradável. Normalmente, este corrimento é provocado por infeções vaginais, vulvites e vulvovaginites, doenças sexualmente transmissíveis e infeções cervicais ou do colo do útero.

    Prevenção do corrimento ou vaginite

    Evitar situações de stress, não usar antibióticos sem serem receitados pelo médico, não usar roupas apertadas ou de tecidos sintéticos, manter uma boa higiene íntima usando sabonetes próprios, praticar uma alimentação saudável e manter as consultas regulares de ginecologia, de forma a identificar e prevenir as causas desta secreção excessiva.

  13. Osteoporose

  14. Três em cada quatro dos pacientes de osteoporose são do sexo feminino. São principalmente afetadas as mulheres na fase da pós-menopausa, sendo esta uma doença que resulta rarefação óssea por deficiência de estrogênios e cálcio na alimentação . Alguns fatores como o sedentarismo, o álcool, tabaco, café em excesso e uma alimentação deficiente podem levar ao agravamento desta doença. Para além destes fatores externos, existe também uma predisposição genética para a osteoporose.

    Prevenção para a osteoporose

    Para prevenir esta doença é necessário uma boa terapia hormonal na época da menopausa iniciada dentro da janela de oportunidade ,  uma dieta rica em cálcio e a prática de exercício físico de forma regular. Entre esses exercícios físicos, destacam-se as caminhadas e as atividades aeróbicas. Tomar sol de forma racional e dentro dos limites considerados saudáveis é muito importante para que o corpo produza a vitamina D3  necessária para a manutenção de um esqueleto saudável.

  15. Alzheimer

  16. É uma doença degenerativa que interfere com o funcionamento do cérebro e que compromete várias das suas funções de forma mais ou menos grave. A doença de Alzheimer é mais frequente nas mulheres do que nos homens, principalmente na sua variante genética mais comum. Ainda não existe cura para esta doença e se assim se mantiver, poderão existir cerca de 115 milhões de pessoas a sofrerem desta doença até ao ano de 2050.

    Prevenção da doença de Alzheimer

    Reservar 15 minutos por dia para fazer “ginástica ao cérebro”, proporcionando-lhe desafios e atividades mentais para que se mantenha sempre em movimento e em bom funcionamento. Ler também pode ser uma boa opção, uma vez que treina o cérebro para ser capaz de reter informação. Praticar exercício físico de forma regular, seguir uma alimentação saudável quanto possível e beber uma taça de vinho tinto por dia também são gestos que contribuem para a prevenção de lesões no cérebro. Acrescente a isso dormir pelo menos oito horas por noite e manter o estado da pressão arterial bem equilibrado, evitando assim a hipertensão.

  17. Depressão

  18. Cerca de 350 milhões de pessoas sofrem de depressão em todo o mundo e a maior parte destes doentes são mulheres. Os desequilíbrios hormonais , fatores ambientais , bem como a depressão pós-parto podem induzir a crises de depressão. Esta doença caracteriza-se por um desinteresse em relação a tudo o que rodeia o paciente, perda de autoestima, mudanças de humor repentinas e bruscas. Caso não seja tratada ou diagnosticada a tempo, a depressão pode tornar-se uma doença crônica altamente incapacitante e pode até conduzir ao suicídio em casos extremos.

    Prevenção da depressão

    A depressão previne-se principalmente através da prática de uma vida tranquila e o mais livre possível de stress e ansiedade. O tratamento deve ser sempre conduzido por um profissional porque apenas boa vontade e palavras encorajadoras são incapazes de contornar a depressão. Exercício físico regular, uma alimentação saudável e passatempos apaixonantes também podem ajudar na prevenção desta doença. Em caso de reincidência ou manutenção dos sintomas da depressão, é crucial procurar de imediato ajuda médica.

  19. Ovário Policístico

  20. Esta doença pode levar algumas mulheres à infertilidade se não for devidamente acompanhada e tratada. É um distúrbio endócrino que atinge cerca de 7% das mulheres em idade reprodutiva, levando à alteração dos níveis hormonais e provocando a formação e crescimento de cistos nos ovários. Esta doença caracteriza-se pela menstruação irregular, presença de microcistos nos ovários e uma elevada produção de testosterona.

    Prevenção do ovário policístico

    Uma dieta saudável, que impeça o aumento significativo do peso e que não contribua para o aumento da pressão arterial é crucial, assim como evitar expor-se a situações de stress e de ansiedade. Praticar exercício físico de forma equilibrada, manter os níveis de colesterol e de tensão arterial controlados, cumprir um calendário regular de visitas ao ginecologista são alguns fatores que são importantes para prevenir o surgimento desta doença.

CÂNCER DE MAMA

O que é

Todo câncer se caracteriza por um crescimento rápido e desordenado de células, que adquirem a capacidade de se multiplicar. Essas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores malignos (câncer), que podem espalhar-se para outras regiões do corpo. O câncer também é comumente chamado de neoplasia.

O câncer de mama, como o próprio nome diz, afeta as mamas, que são glândulas formadas por lobos, que se dividem em estruturas menores chamadas lóbulos e ductos mamários. É o tumor maligno mais comum em mulheres e o que mais leva as brasileiras à morte, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Segundo a Estimativa sobre Incidência de Câncer no Brasil, 2014-2015, produzida pelo Inca, o Brasil terá 576 mil novos casos de câncer por ano. Desses, 57.120 mil serão tumores de mama.

O câncer de mama é relativamente raro antes dos 35 anos, mas acima dessa idade sua incidência cresce rápida e progressivamente. É importante lembrar que nem todo tumor na mama é maligno e que ele pode ocorrer também em homens, mas em número muito menor. A maioria dos nódulos (ou caroços) detectados na mama é benigna, mas isso só pode ser confirmado por meio de exames médicos.

Quando diagnosticado e tratado ainda em fase inicial, isto é, quando o nódulo é menor que 1 centímetro, as chances de cura do câncer de mama chegam a até 95%. Tumores desse tamanho são pequenos demais para serem detectados por palpação, mas são visíveis na mamografia. Por isso é fundamental que toda mulher faça uma mamografia por ano a partir dos 40 anos.

Fatores de risco

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O câncer de mama – e o câncer de forma geral – não tem uma causa única. Seu desenvolvimento deve ser compreendido em função de uma série de fatores de risco, alguns deles modificáveis, outros não.

O histórico familiar é um importante fator de risco não modificável para o câncer de mama. Mulheres com parentes de primeiro grau (mãe ou irmã) que tiveram a doença antes dos 50 anos podem ser mais vulneráveis.

Entre outros fatores de risco não modificáveis estão o aumento da idade, a menarca precoce (primeira menstruação antes dos 11 anos de idade), a menopausa tardia (última menstruação após os 55 anos), nunca ter engravidado ou ter tido o primeiro filho depois dos 30 anos.

Já os fatores de risco modificáveis bem conhecidos até o momento estão relacionados ao estilo de vida, como o excesso de peso e a ingestão regular (mesmo que moderada) de álcool. Alterá-los, portanto, diminui o risco de desenvolver a doença. No entanto, a adoção de um estilo de vida saudável nunca deve excluir as consultas periódicas ao ginecologista, que incluem a mamografia anual a partir dos 40 anos.

Sintomas

O sintoma mais comum de câncer de mama é o aparecimento de um caroço. Nódulos que são indolores, duros e irregulares têm mais chances de ser malignos, mas há tumores que são macios e arredondados. Portanto, é importante ir ao médico. Outros sinais de câncer de mama incluem:

inchaço em parte do seio;

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irritação da pele ou aparecimento de irregularidades, como covinhas ou franzidos, ou que fazem a pele se assemelhar à casca de uma laranja;

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dor no mamilo ou inversão do mamilo (para dentro);

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vermelhidão ou descamação do mamilo ou pele da mama;

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saída de secreção (que não leite) pelo mamilo;

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caroço nas axilas;

Detecção precoce

Câncer de Mama
O câncer de mama é uma doença grave, mas que pode ser curada. Quanto mais cedo ele for detectado, mais fácil será curá-lo. Se no momento do diagnóstico o tumor tiver menos de 1 centímetro (estágio inicial), as chances de cura chegam a 95%.
Quanto maior o tumor, menor a probabilidade de vencer a doença. A detecção precoce é, portanto, uma estratégia fundamental na luta contra o câncer de mama. Se a detecção precoce é a melhor estratégia, a principal arma para sair vitoriosa dessa luta é a mamografia, realizada uma vez por ano em toda mulher com 40 anos ou mais. É a partir dessa idade que o risco da doença começa a aumentar significativamente. A mamografia é o único exame diagnóstico capaz de detectar o câncer de mama quando ele ainda tem menos de 1 centímetro. Com esse tamanho, o nódulo ainda não pode ser palpado. Mas é com esse tamanho que ele pode ser curado em até 95% dos casos.

  • Autoexame
  • Direito de Todas
  • Selo de Qualidade

Durante muito tempo, as campanhas de conscientização para o câncer de mama divulgaram a ideia de que o autoexame das mamas, baseado na palpação, era a melhor forma para detectá-lo precocemente. Mas o tempo passou, a medicina evoluiu e as recomendações mudaram.

O autoexame continua sendo importante – mas de forma secundária. Quando o tumor atinge o tamanho suficiente para ser palpado, já não está mais no estágio inicial, e as chances de cura não são máximas.

Infelizmente, ainda há muita desinformação no Brasil. Uma pesquisa realizada em 2008 pelo Datafolha a pedido da Femama revelou que para 82% das mulheres o autoexame é a principal forma de diagnóstico precoce. Apenas 35% apontaram a mamografia.

A incidência do câncer de mama vem crescendo no mundo todo, mas, quando se trata do número de mortes causadas pela doença, as tendências variam. Em países desenvolvidos, a mortalidade vem caindo lentamente, ao passo que nos países em desenvolvimento, como o Brasil, registra-se um gradativo aumento.

Pelo menos parte dessa diferença se deve ao diagnóstico precoce, ainda precário no nosso país. Entre 1999 e 2003, quase metade dos casos de câncer de mama foram diagnosticados em estágios avançados, segundo estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Especialistas estimam que mortalidade por câncer de mama em mulheres entre 50 e 69 anos poderia ser reduzida em um terço se todas as brasileiras fossem submetidas à mamografia uma vez por ano.

Diagnóstico precoce

O câncer de mama é uma doença grave, mas que pode ser curada. Quanto mais cedo ele for detectado, mais fácil será curá-lo. Se no momento do diagnóstico o tumor tiver menos de 1 centímetro (estágio inicial), as chances de cura chegam a 95%, segundo a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama – Femama. Quanto maior o tumor, menor a probabilidade de vencer a doença. A detecção precoce é, portanto, uma estratégia fundamental na luta contra o câncer de mama.

Se o diagnóstico precoce é a melhor estratégia, a principal arma para sair vitoriosa dessa luta é a mamografia, realizada uma vez por ano em todas as mulheres com 40 anos ou mais. É a partir dessa idade que o risco da doença começa a aumentar significativamente.

A mamografia é o único exame diagnóstico capaz de detectar o câncer de mama quando ele ainda tem menos de 1 centímetro. Com esse tamanho, o nódulo ainda não pode ser palpado. Mas é com esse tamanho que ele pode ser curado em até 95% dos casos.

autoexame

autoexame

Durante muito tempo, as campanhas de conscientização para o câncer de mama divulgaram a ideia de que o autoexame das mamas, baseado na palpação, era a melhor forma para detectá-lo precocemente. Mas o tempo passou, a medicina evoluiu e as recomendações mudaram.

O autoexame continua sendo importante – mas de forma secundária. Ele é essencial para que a mulher conheça seu corpo, em especial sua mama, e possa perceber qualquer alteração. O autoexame pode ser feito visualmente e por meio da palpação, uma vez por mês, após o final da menstruação. Para as mulheres que não menstruam mais, o ideal é definir uma data e fazê-lo uma vez ao mês, sempre no mesmo dia. Entretanto, ele não substitui a importância do exame clínico feito por um profissional da saúde por meio da palpação e, menos ainda, a mamografia.

É fundamental que, além do autoexame, todas as mulheres acima dos 40 anos façam seus exames de rotina, entre eles a mamografia. Só ela pode detectar precocemente um nódulo pequeno e aumentar muito as chances de cura.

MAMOGRAFIA

mamografia

A mamografia é um exame de raio-X, na qual a mama é comprimida entre duas placas de acrílico para melhor visualização. Em geral são feitas duas chapas de cada mama: uma de cima para baixo e uma de lado. Apesar da compressão da mama ser um pouco desagradável para algumas mulheres, é importante lembrar que ela não é perigosa para a mama. A dose de raios X utilizada nos aparelhos modernos é também muito baixa, e não deve servir de empecilho para a realização do exame.

Fundamental e insubstituível, a mamografia pode detectar nódulos de mama em seu estágio inicial, quando não são percebidos na palpação do autoexame feito pela mulher ou pelo profissional de saúde. Por serem pequenos, esses nódulos têm menor probabilidade de disseminação e mais chances de cura.

Por essa razão, as mulheres acima de 40 anos devem realizar a mamografia regularmente, em intervalos anuais. E, com a efetivação da Lei Federal nº 11.664/2008, em vigor a partir de 29 de abril de 2009, toda mulher brasileira tem direito a realizar pelo SUS sua mamografia anual a partir dessa idade.

Como todo exame médico, a mamografia está sujeita a deficiências. Acredita-se que cerca de 10% dos casos comprovados de câncer de mama não sejam detectados na mamografia, principalmente em mulheres jovens, que têm a mama densa. A ultrassonografia pode auxiliar no diagnóstico quando associada à mamografia e pode ser muito útil para detectar lesões duvidosas.

Diferentes tipos de câncer de mama

Diferentes tipos de câncer de mama

O câncer de mama pode se manifestar de diversas formas, e conhecer seus principais tipos ajuda a compreender melhor o que está acontecendo. O diagnóstico positivo é sempre uma notícia impactante, mas é importante estar bem informada para conversar com o oncologista sobre as opções de terapias disponíveis e mais apropriadas para o seu caso. Há os tumores mais e os menos agressivos, e os que crescem mais ou menos rápido, por exemplo.

Uma série de características vai permitir ao médico indicar o tratamento mais adequado, aquele com maior chance de trazer a cura no menor tempo possível, minimizando os riscos de recaída. Muitas vezes, porém, a paciente não fica sabendo o que significam tantos termos técnicos e quais são suas implicações, o que tende a aumentar ainda mais sua angústia nesse momento tão delicado. Não deixe de conversar com o seu médico para acompanhar todos os passos do tratamento.

  • Ductal Ou Lobular
  • In Situe Invasor
  • Receptores Hormonais
  • HER2 Positivo
  • Triplo Negativo

As primeiras informações sobre o tipo de tumor costumam vir no resultado da biópsia, que informa se o carcinoma (que é sinônimo para câncer de mama) é ductal ou lobular, classificação que diz respeito ao local da mama onde se originou o tumor.

As mamas são glândulas formadas por lobos, que se dividem em estruturas menores chamadas lóbulos e ductos mamários.

O tipo mais comum é chamado carcinoma ductal, porque se origina nas células dos ductos mamários. Já o carcinoma lobular, menos comum, tem origem nas células dos lóbulos mamários.

Diagnóstico positivo

O câncer de mama pode se manifestar de diversas formas, e conhecer seus principais tipos ajuda a compreender os diferentes tratamentos prescritos pelos médicos.

O diagnóstico positivo é sempre uma notícia impactante, mas é importante estar bem informada para conversar com o oncologista sobre as opções de terapias disponíveis e mais apropriadas para o seu caso.

carcinoma ductal e lobular

As mamas são glândulas formadas por lobos, que se dividem em estruturas menores chamadas lóbulos e ductos mamários. A principal classificação do câncer de mama diz respeito à estrutura em que se originou o tumor.

O tipo mais comum é chamado carcinoma ductal, porque se origina nas células dos ductos mamários. Ele pode ser in situ, quando se restringe às células desses ductos, ou invasor, quando se dissemina para os tecidos adjacentes. Já o carcinoma lobular, menos comum, tem origem nas células dos lóbulos mamários, e também pode ser in situ ou invasivo.

O carcinoma ductal ou o lobular in situ representam o estágio mais precoce do câncer de mama. Se não forem tratados, a tendência é evoluir para a forma invasora, disseminando-se para outras regiões da mama e, posteriormente, do corpo. Nessa fase, os tumores são muito pequenos (menores de 1 centímetro) para serem palpados, mas podem ser detectados na mamografia e curados em 95% dos casos.

tipo inflamatório

O câncer de mama pode ser ainda do tipo inflamatório, que é uma forma de apresentação incomum dos carcinomas invasores. Ele costuma disseminar-se por toda a pele da mama, tornando-a avermelhada, quente e inchada devido à presença de células tumorais nos vasos linfáticos da pele.

Outros tipos de câncer de mama, bem mais raros, incluem a doença de Paget, que se inicia no mamilo; os linfomas, que acometem o sistema linfático da mama; e os sarcomas, que se originam no tecido conjuntivo (músculo ou gordura) da mama.

receptores hormonais

Seja qual for o tipo, todos os tumores de mama devem ser testados quanto à presença de receptores para hormônios femininos (estrógeno e progesterona), que são proteínas localizadas na superfície externa da célula. Sua presença indica sensibilidade das células tumorais a esses hormônios. Trata-se de uma informação muito importante para definir que tipo de tratamento a paciente irá receber. Os tumores positivos para receptores hormonais geralmente crescem mais lentamente.

HER-2

Outro receptor cuja presença fará muita diferença no tratamento prescrito pelo médico é conhecido como HER-2. Trata-se de uma proteína, também situada na face externa da célula, que está presente em 25% dos casos de câncer de mama. Os tumores HER-2 positivos costumam ser mais agressivos, isto é, crescem e se disseminam mais rapidamente que outros tipos de câncer, e devem ser tratados com medicamentos específicos.

VACINAS NA GRAVIDEZ


FEBRASGO reforça a importância de três vacinas durante a gestação

Que algumas vacinas são de grande importância na gestação, todos os médicos sabem, mas muitos não tem reforçado a necessidade de imunização para as mulheres grávidas. Por isso, a presidente da Comissão de Vacinas da FEBRASGO, Nilma Antas Neves, explica que existem vacinas que estão disponíveis nos postos de saúde gratuitamente: a Vacina Influenza, Vacina dTpa e Vacina Hepatite B.

Abaixo  as indicações de cada Vacina. Confira:

1) Vacina Influenza

A gripe durante a gestação ou puerpério pode levar a formas clínicas graves, pneumonia e morte. O risco de complicações é muito alto, principalmente no terceiro trimestre de gestação, mantendo-se elevado no primeiro mês após o parto. As puérperas apresentam risco semelhante ou maior que as gestantes de ter complicações em decorrência da Influenza.

A vacinação contra o vírus influenza em gestantes é uma estratégia eficaz de proteção para a mãe e para o lactente. Estudo realizado demonstrou que os lactentes de mães vacinadas contra a influenza, apresentaram menos casos da doença.

Todas as gestantes devem tomar a vacina Influenza, em qualquer fase da gestação. Ela é gratuita para gestantes (qualquer idade gestacional, não precisa comprovação de gestação) e puérperas até 45 dias (levar certidão de nascimento do recém-nascido ou cartão da gestante ou documento do hospital).

2) Vacina dTpa

A vacina dTpa (tríplice bacteriana acelular do adulto) tem o objetivo específico na gestação de proteger contra tétano neonatal e coqueluche no recém-nascido. A preocupação com a coqueluche é decorrente do aumento dos casos em lactentes jovens (em idade pré-vacinação) com alta taxa de letalidade em todo o mundo. No Brasil, em 2014, mais de 50 crianças menores de 6 meses de idade morreram por coqueluche. Foi constatado que esses recém-nascidos são infectados pelos contatos próximos, principalmente pela mãe, em cerca de 40% dos casos. Os lactentes antes dos 6 meses de idade não completaram seu esquema de vacinação. Um adulto infectado pela Bordetella pertussis pode resultar em até 17 novos casos. O quadro clínico da coqueluche no adulto não é típico, devendo-se suspeitar dos pacientes com tosse seca por mais de 14 dias.

O objetivo da vacinação da gestante é diminuir a transmissão da mãe para o recém-nascido após o parto e a proteção relativa do recém-nascido através dos anticorpos maternos via transplacentária. A efetividade de proteção dos anticorpos transplacentários para o feto não é totalmente conhecida, mas certamente modifica a severidade da doença. Após a vacinação na gestação, os anticorpos maternos atingem o pico em algumas semanas e caem em poucos meses.

A vacinação da gestante deve ser com idade gestacional acima de 20 semanas (preferencialmente entre 27 e 36 semanas). A mulher deve ser vacinada em todas as gestações, independente de quando tomou a última dose da vacina dT (que é a dupla bacteriana, disponível nos postos de saúde, porém, confere proteção apenas para Difteria e Tétano).

É preciso reforçar que:

  • Se a gestante já tem seu esquema de vacinação contra tétano completo (3 doses prévias), ela precisa tomar apenas a dTpa entre 27 e 36 semanas.
  • Se a gestante não tem ou não sabe se o esquema de tétano está completo, ela deve ser vacinada com 2 doses da dT e 1 dose da dTpa (sendo esta, entre 27 e 36 semanas). O intervalo entre as doses deve ser entre 30 e 60 dias.

3) Vacina Hepatite B

Caso a gestante não tenha o esquema de vacinação completo para Hepatite B ou nunca tomou nenhuma dose, ela deve ser vacinada durante a gestação preferencialmente durante o segundo ou terceiro trimestre. O esquema completo consiste em 3 doses (0-1-6 meses). Se a gestante já tiver recebido 1 ou 2 doses, deverá completar as doses durante a gestação, não sendo necessário tomar novamente a(s) dose(s) recebidas.

Por fim, os recém-nascidos podem ser infectados ao nascerem de mães portadoras do vírus B da hepatite. O risco de infecção crônica é mais elevado, quando a exposição ocorre no período perinatal. Cerca de 25% das crianças que desenvolvem a infecção crônica morrem de carcinoma hepatocelular ou cirrose décadas após a infecção inicial.


VACINA DE FEBRE AMARELA E GRAVIDEZ


A vacina contra a febre amarela é feita com vírus vivo, que através de uma série de tratamentos, se torna muito fraco. Desta forma, a maioria das pessoas que tomam a vacina desenvolve imunidade contra ele, sem que nunca manifestem a doença. Porém em alguns, pode haver uma leve manifestação dessa infecção, que às vezes, por ser tão discreta, passa despercebida pela própria pessoa.

Na gravidez, como há sempre aquele risco pequeno que se desenvolva a infecção, essa vacina é relativamente contra-indicada. Relativamente porque, se a gestante viver, ou precisar ir para uma área de alto risco, é mais seguro para ela e para o neném que ela receba a vacina, do que fique suscetível a pegar uma infecção com o vírus forte. Se isso acontecer, pode ser muito pior para os dois.

Mas, qual é o risco real da grávida em receber essa vacina?

Riscos no decorrer da gestação:

  • Estudos compararam a gravidez dessas gestantes com outras “normais”, e não viram diferença nos resultados das gestações entre os dois grupos. Isso significa que os dois grupos tiveram um número semelhante de complicações durante a gravidez, e assim não é possível atribuir à vacina a culpa por essas complicações.
  • Sabe-se também que mesmo manifestando a doença da febre amarela, a taxa de transmissão na gravidez é baixa.

Riscos para o bebê:

  • Os bebês, após o nascimento, também não apresentaram diferença no seu desenvolvimento e bem estar, quando comparados aos bebês “normais”.
  • Naqueles nenéns nos quais foi constatada a transmissão da febre amarela durante a gestação, também não foi observada nenhuma alteração importante, que trouxesse uma piora na qualidade de vida da criança.

Resumindo: é lógico que se puder evitar a vacina na gestação é melhor, mas se você acabar tomando, não é um problema enorme!

Mas uma coisa é certa: estatísticas e resultados de estudos só servem para o médico aprender com as experiências dos colegas, para poder tomar decisões mais sensatas. Quando se trata da paciente, não importa as estatísticas, e sim o que acontece com ela, mesmo que seja a minoria. Isso não é uma visão pessimista, mas sim realista.

Por isso, se você recebeu a vacina da febre amarela na gravidez, seu obstetra deve ficar sabendo e deve acompanhar a gestação mais atento a alterações que possam acontecer. Ele, não você! Você deve continuar curtindo muito essa gravidez e saber que a chance de ter algum problema com isso é minúscula.

ZIKA VÍRUS NA GRAVIDEZ

A infecção por zika vírus pode prejudicar o feto em qualquer fase da gravidez, não apenas se a mãe adoecer nas primeiras semanas de gestação, como se imaginava inicialmente. É o que mostra pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz e da Universidade da Califórnia, publicada no site da revista científica “The New England Journal of Medicine”. De 42 mulheres acompanhadas, 29% esperavam bebês com alterações no sistema nervoso central.

Os filhos de mulheres contaminadas entre a 5ª e a 38ª semanas de gravidez apresentaram más-formações, como microcefalia, calcificações cerebrais, restrição de crescimento intrauterino, ausência de hemisférios cerebrais. A infecção pelo vírus também afetou a função placentária e houve casos de grávidas com pouco líquido e até mesmo com ausência de líquido amniótico. Dois fetos morreram; suas mães haviam adoecido na 25ª e na 32ª semanas de gestação.

O estudo, iniciado em setembro, antes mesmo de o Ministério da Saúde decretar emergência em saúde pública, acompanhou 88 mulheres com sintomas de zika, como manchas vermelhas no corpo, conjuntivite, dor de cabeça e dores nas articulações. Os exames deram positivo para zika em 72 mulheres (82%): 42 aceitaram ser acompanhadas e passaram por ultrassonografia; as demais alegaram que o local para os exames era distante de casa ou se negaram a fazer os testes por temer os resultados. As 16 que tiveram teste para zika negativo também passaram por ultrassonografias.

Todas eram saudáveis, e não apresentavam nenhum outro fator de risco além de terem contraído zika – possíveis causas de microcefalia, como sífilis, citomegalovírus e rubéola haviam sido afastadas nos exames. Um dado chamou a atenção dos pesquisadores e foi registrado no trabalho: 88% das grávidas já haviam tido dengue, confirmado por exames de sangue. As mulheres relataram ainda que outros parentes haviam contraído zika – 21% delas disseram que seus companheiros adoeceram.

Das 42 mulheres acompanhadas, 12 esperavam bebês com más-formações. As ultrassonografias mostraram que cinco deles tinham restrição de crescimento intrauterino (com ou sem microcefalia); quatro apresentavam calcificações cerebrais, dois tinham outras lesões do sistema nervoso central; quantidade insuficiente de líquido amniótico foram percebidas em sete gestações. Quatro fetos tinham fluxo anormal nas artérias cerebrais ou umbilicais.

Seis mulheres deram à luz e os achados na ultrassonografia foram confirmados: um bebê tinha microcefalia severa e atrofia cerebral; dois bebês diagnosticados com restrição do crescimento intrauterino foram considerados pequenos ao nascer e com cabeças proporcionais e um bebê cuja mãe apresentou pouco líquido amniótico nasceu com tamanho adequado para a idade gestacional. Duas mulheres que não tiveram zika deram à luz bebês sem nenhuma alteração.

Para os pesquisadores, esses resultados “fornecem apoio adicional” para mostrar a ligação entre a infecção de grávidas por zika e “anomalias fetais e placentárias”. “Apesar de os sintomas clínicos leves, infecção pelo zika vírus durante a gravidez parece estar associada a resultados graves, como morte fetal, insuficiência placentária, restrição de crescimento fetal e lesões do sistema nervoso central”, escreveram os pesquisadores.

Eles recomendam o cuidadoso acompanhamento dessas mulheres para avaliar os sinais de insuficiência placentária, que podem levar à morte do feto. O estudo, que reúne pesquisadores de diferentes instituições ligadas à Fiocruz, como o Instituto Nacional de Infectologia (INI) e o Instituto Fernandes Figueiras, ainda não foi encerrado. As crianças nascidas dessas mães serão acompanhadas por longo prazo em outras fases da pesquisa.

PRÉ-NATAL NOS DIAS ATUAIS

Uma agenda repleta de compromissos passa a fazer parte do dia a dia da mulher assim que se constata uma gravidez. Consultas, avaliações físicas e outros exames, que devem ser realizados em laboratório de análises clínicas e medicina diagnóstica, preenchem nove meses de uma intensa maratona médica. Por se tratar de um evento fisiológico, a assistência ao pré-natal é como uma supervisão da natureza e cabe ao médico saber atuar no momento correto para garantir o melhor para o bebê e a mãe . O Ministério da Saúde recomenda que a gestante visite o médico pelo menos seis vezes até o parto, mas grande parte dos especialistas prefere ver suas pacientes com uma frequência maior (confira abaixo como se dá essa rotina e o que é avaliado em cada consulta). Fundamental mesmo é não demorar para começar o acompanhamento! “O atraso menstrual leva a paciente à consulta. Depois de constatada a gravidez, já se deve iniciar o pré-natal”, afirma José Bento de Souza, ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana, de São Paulo.

Frequência e teor das consultas
Embora o número de consultas varie de acordo com a conduta de cada médico e também conforme as peculiaridades da gestação, em geral a paciente é orientada a retornar ao consultório do obstetra mensalmente até o sétimo mês de gravidez. No oitavo, ocorrem duas visitas, uma em cada quinzena. Já no nono e último meses, o encontro com o especialista passa a ser semanal. Toda essa rotina serve para cuidar da saúde de mãe e filho e acompanhar de perto o desenvolvimento do bebê. Estes são os pontos abordados e as avaliações feitas durante uma consulta de pré-natal:

  • Conversa com a paciente para saber como anda seu estado geral, quais sintomas vem apresentando e, a partir da 20ª semana, indagação sobre os movimentos do feto.
  • Medição da pressão arterial.
  • Verificação do peso.
  • Aferição da altura do útero e da circunferência abdominal.
  • Ausculta dos batimentos cardíacos do feto.
  • Solicitação de exames médicos (laboratoriais, de imagem e outros, se necessário).


Exames obrigatórios e exames especiais
Confira, fase a fase, os exames a que toda gestante deve se submeter e o que eles apontam para o médico. Lembre-se, porém, de que cada gravidez é uma situação única, com muitas variáveis, o que pode determinar a realização de exames especiais ou de outros testes não listados aqui. Existem casos particulares, que devem ser tratados de maneira diferenciada.

Assim que iniciado o pré-natal

Sangue
Determinar o tipo sanguíneo da gestante (importante para outras providências, caso o fator Rh seja negativo), dosar hormônios e anticorpos da tireoide, detectar possíveis infecções (como sífilis, HIV, hepatites A, B e C), verificar se a gestante não tem anemia, dosar os níveis de açúcar no sangue e definir se a paciente corre ou não o risco de contrair doenças como rubéola, citomegalovirose e toxoplasmose. Também é feita uma pesquisa de trombofilias congênitas, essencial para prevenir o trabalho de parto prematuro e alertar para doenças hipertensivas da gestação, como pré-eclâmpsia e help síndrome, que podem causar óbito fetal. A critério do médico, o exame de sangue pode ser repetido várias vezes ao longo da gestação, mas deve ser solicitado, no mínimo, uma vez a cada trimestre.

Urina
Detectar uma eventual infecção urinária e a presença de proteínas que podem indicar tendência a desenvolver pré-eclâmpsia. Útil também no acompanhamento de gestantes diabéticas.

Fezes
Investigar a presença de parasitas no intestino que podem provocar, entre outros problemas, anemia.

Entre 5ª e a 8ª semana de gestação

Ultrassonografia intravaginal
Visualizar o embrião e o saco gestacional, calcular o tempo de gravidez e a data provável do parto. Normalmente, se realizado após a sexta semana, possibilita ainda ouvir os batimentos cardíacos do embrião.

Entre a 11ª e a 14ª semana de gestação

Ultrassonografia da transluscência nucal
O principal objetivo desse exame é a medicação da espessura de um fluido entre a pela e a gordura da nuca do bebê. O resultado aponta uma menor ou maior chance de haver anomalias, sendo a principal delas a Síndrome de Down. Nesse mesmo exame, verifica-se uma eventual ausência do osso nasal, que pode ser também um indício de alteração cromossômica. Outras finalidades são: medir o bebê, atestar sua vitalidade pela ausculta dos batimentos cardíacos e observar o ducto venoso, um vaso que pode dar aos médicos sinais de possíveis problemas cardíacos. Se o exame apontar a possibilidade de alguma alteração cromossômica no feto, o médico deverá solicitar exames complementares.

Entre a 20ª e a 22ª semana de gestação

Ultrassonografia morfológica
Além de medir o feto e estimar seu peso, esse exame analisa os órgãos do bebê, que, a essa altura, já se encontram formados. Na maioria dos casos, é possível visualizar o sexo da criança. Se o aparelho usado for de tecnologia 3D ou 4D, consegue-se até mesmo observar seus traços faciais.

Entre a 24ª e a 28ª semana de gestação

Triagem de diabetes gestacional
Verificar se a paciente desenvolveu diabetes gestacional, uma doença que requer cuidados especiais e possível antecipação do parto. O exame é conhecido como curva de tolerância glicêmica ou teste oral de tolerância à glicose. No laboratório, a gestante bebe um copo de glicose e depois é submetida a algumas coletas de sangue para análise.

Entre a 34ª e a 37ª semana de gestação

Triagem de estreptococo beta-hemolítico
Trata-se da análise laboratorial de uma amostra de secreção vaginal e outra do reto para rastreio de uma eventual infecção causada pela bactéria estreptococo do grupo B, que pode ser passada para o bebê durante o nascimento e provocar até a morte do recém-nascido. O tratamento, para os casos positivos, consiste na administração de antibióticos para a gestante no dia do parto.

Ultrassonografia do terceiro semestre
Esse exame é importante para acompanhar o tamanho, o peso e a posição do feto. Ele também avalia a maturidade da placenta e a quantidade de líquido aminiótico. Pode ser realizado com tecnologia Doppler, um recurso que facilita a detecção de problemas na gestação. O número de ultrassonografias no último trimestre de gravidez depende das necessidades de cada paciente e da conduta particular do médico, portanto, esse exame poderá ocorrer mais de uma vez.

Exames especiais

Alteração no resultado de um dos exames comuns do pré-natal (citados acima), gravidez após os 35 anos, gestantes com doenças prévias (como lúpus, câncer, doenças do colágeno etc.), grávidas com diabetes ou hipertensão, histórico de doenças hereditárias na família e gestação de múltiplos. Essas são algumas das situações consideradas de risco pelos médicos e que levam à necessidade de um pré-natal ainda mais cuidadoso tanto em relação à frequência de consultas quanto à realização de exames específicos. Conheça alguns dos testes adicionais, que podem ser solicitados, se a paciente necessitar de uma assistência intensiva:

Teste de Coombs

Quando o fator Rh da mãe é negativo e o do pai positivo, a mulher deve solicitar esse teste, feito por exame de sangue. Ele revela se houve contato entre o sangue materno e o do bebê para que seja iniciado o tratamento antes que o feto se prejudique. Isso porque a incompatibilidade sanguínea pode levar à eritroblastose fetal, quando o corpo da mãe destrói as hemoglobinas do bebê e pode levar à morte, Realizado mensalmente, em jejum de três horas.

Biópsia do vilo corial (11ª a 14ª semana):

Solicitada normalmente quando existe a suspeita de alterações cromossômicas no feto. A dúvida pode surgir, por exemplo, após o exame de ultrassonografia de translucência nucal. O procedimento consiste na análise de uma amostra da placenta, coletada por uma agulha, que é inserida através do abdômen da gestante. O exame apresenta um risco pequeno de provocar aborto.

Amniocentese (a partir da 13ª semana):

Semelhante à biópsia do vilo corial, também objetiva a constatação de anormalidades genéticas no feto. Nesse exame, porém, a amostra analisada é do líquido amniótico, que envolve o bebê. Assim como no exame anterior, existe o perigo de causar um aborto.

Ultrassonografia transvaginal (a partir da 12ª semana):

Indicada quando a gestação tem alto risco de prematuridade, como no caso de gêmeos, tem como finalidade checar as condições do colo do útero. Se houver probabilidade de ele se romper, o que pode levar ao parto prematuro, o médico avalia a possibilidade de realizar uma cerclagem uterina (cirurgia que costura o colo do útero para reforçar seu fechamento).

Fibronectina fetal (18ª à 24ª):

É uma análise da secreção vaginal para avaliar a chance de nascimento prematuro. Realizada em mulheres de alto risco para parto prematuro, como as que tiveram o problema em gestação anterior ou apresentam o encurtamento do colo uterino.

Ecocardiografia fetal (a partir da 28ª semana):

Com um aparelho de ultrassonografia, observa-se detalhadamente o funcionamento do coração do bebê. Esse exame vem sendo cada vez mais adotado pelos médicos como uma rotina, dentro do pré-natal, mesmo para pacientes de baixo risco. Entretanto, muitos obstetras ainda o requisitam apenas para situações específicas, em que a probabilidade de anomalias cardíacas no feto é maior. Alguns desses casos ocorrem se a mãe tem alguma malformação congênita do coração ou quando é constatada uma alteração cromossômica no feto.

Perfil biofísico fetal (após a 28ª semana)

Realizado por aparelho de ultrassom, esse exame é solicitado quando existe a suspeita de o desenvolvimento do bebê estar comprometido. Indicado nas gestações de alto risco, ele avalia movimentos respiratórios, movimentos dos membros, tônus muscular, reatividade da frequência cardíaca e volume do líquido amniótico.

VACINA PARA O H.P.V.

Esta é uma vacina mais recente, fortemente indicada para TODAS as mulheres, a partir de 9 anos de idade até os 26 anos. Apesar da ANVISA ainda não ter autorizado o uso da vacina em mulheres acima de 26 anos, muitos países em todo mundo estão vacinando todas as mulheres acima desta idade, baseado nos estudos de resposta imune, segurança e eficácia demonstrada por esta vacina nas mulheres acima de 26 anos. O próprio FDA dos EUA já aprovou o uso da vacina nesta faixa etária.

Esta é uma vacina importantíssima, pois previne a aquisição de câncer genital feminino, sendo o principal o câncer do colo do útero, além do câncer vulvar, vaginal etc.

Trata-se de uma vacina muito segura, desenvolvida por engenharia genética, com poucos eventos adversos leves relatados com a vacinação. Esta vacina deve ser administrada preferencialmente antes do início da vida sexual, para que possamos ter 100% de proteção para os tipos de HPV contidos na vacina. O fato da mulher já ter vida sexual, não contra-indica a vacina, pois está demonstrado beneficio de proteção contra o HVP nesta situação. Como a vacina protege contra 4 tipos de HPV (na vacina quadrivalente) ou contra 2 tipos (na vacina bivalente), e como não sabemos se a mulher já foi exposta a o HPV e qual o tipo de HPV, a vacina está plenamente indicada para TODAS as mulheres, independente de sua atividade sexual.

Em relação aos homens, apesar da vacina contra o HPV no Brasil ainda não ter sido aprovada pela ANVISA para esta finalidade, vários países já estão recomendando a vacinação nos meninos, a partir de 9 anos, a fim de minimizar a transmissão do vírus para as mulheres, e prevenir casos de câncer de pênis e anal, além da prevenção de verruga genital, conforme a vacina utilizada. Já existem estudos sobre a eficácia, segurança e resposta imunológica a vacinação do sexo masculino, tornando a vacina uma indicação para esta população.

O esquema da vacinação é sempre com 3 doses, com intervalo de 1 a 2 meses entre a primeira e a segunda dose (dependendo do fabricante), e de 6 meses entre a primeira e a terceira dose. A via de aplicação é a intramuscular.

A vacina contra o HPV está contra-indicada na gestante, por falta de estudos de segurança nesta população especifica. A vacina contra o HPV pode ser realizada concomitante a qualquer outra vacina.

A realização rotineira do exame de Papanicolaou deve ser mantida, independente da vacinação.

HIPERPLASIA DO ENDOMÉTRIO

O que é hiperplasia endometrial?

Hiperplasia endometrial é o aumento de espessura do revestimento do útero, quase sempre acompanhada pelo desarranjo da sua arquitetura celular. Esse espessamento é devido ao excesso de estrogênio que ocasiona uma proliferação anormal, que vai desde um estado fisiológico exacerbado, até ocarcinoma ”in situ”. Geralmente ocorre em mulheres que não ovulam todos os meses ou durante a terapia de reposição hormonal feita somente com estrogênio. A hiperplasia endometrial nem sempre está relacionada aocâncer, mas ela aumenta o risco dessa patologia.

Quais são os tipos de hiperplasia endometrial?

  • Hiperplasia simples do endométrio: caracterizada pelo espessamento homogêneo do tecidoendometrial.
  • Hiperplasia cística do endométrio: gera nas paredes internas do útero um aspecto de “queijo suíço” e nos casos mais graves pode estar relacionado ao câncer do endométrio.
  • Hiperplasia focal do endométrio: na hiperplasia focal do endométrio os pólipos se projetam para dentro da cavidade uterina, estreitando assim o tamanho normal do órgão.
  • Hiperplasia atípica do endométrio: lesão endometrial um pouco mais grave que as anteriores. Mais frequentemente está relacionada ao desenvolvimento de câncer e pode levar à necessidade de retirada preventiva do útero.

Quais são as causas da hiperplasia endometrial?

A causa principal da hiperplasia do endométrio é a exposição excessiva ao estrogênio, o que pode ocorrer se a mulher não ovular todos os meses, realizar terapia de reposição hormonal ou ser portadora de tumor no ovário. O risco maior de desenvolver hiperplasia endometrial ocorre entre os 40 e 60 anos de idade.

Quais são os principais sinais e sintomas da hiperplasia endometrial?

Os principais sinais e sintomas da hiperplasia endometrial são:

  • Sangramento uterino.
  • Dores abdominais e cólicas.
  • Aumento discreto do tamanho do útero.

Como o médico diagnostica a hiperplasia endometrial?

O diagnóstico da hiperplasia endometrial é feito através dos sintomas relatados , sugerido pela ultrassonografia  e confirmado através de uma histeroscopia diagnóstica com biópsia . As atipias citológicas (alterações da morfologia celular) constituem-se no achado histológico mais importante para prever o risco para o carcinomade endométrio.

Como o médico trata a hiperplasia endometrial?

O tratamento da hiperplasia endometrial vai depender do tipo e da gravidade da hiperplasia, da idade da paciente e do desejo ou não que ela tenha de engravidar. As opções terapêuticas incluem curetagem do tecidoendometrial ou uso de medicamentos orais, intramusculares ou intrauterinos. Após o tratamento deve ser feita uma biópsia do endométrio para verificar o sucesso ou não do tratamento.

Como manter sob controle a hiperplasia endometrial?

Fazer acompanhamento periódico com exames médicos e de imagem a cada seis meses ou um ano. Seguir corretamente as orientações do seu ginecologista.

CISTO DE NABOTH ( NO COLO UTERINO )

Cisto de Naboth é uma patologia uterina caracterizada pela formação de um ou mais nódulos na superfície do colo uterino ou até no canal endocervical do colo .

As glândulas da superfície interna do canal do colo uterino que as vezes se exteriorização  podem ficar cheias de secreção devido ao bloqueio no ducto ou passagem na glândula. Conforme as secreções se acumulam, um nódulo arredondado e liso pode formar-se sob a superfície do colo do útero vindo a tornar-se grande o suficiente para ser visto ou sentido durante um exame ginecológico. Cada cisto caracteriza-se como uma elevação pequena, de cor branca, hipervascularizada  como uma pústula. Os cistos podem ocorrer isoladamente ou em grupos e, embora não sejam uma ameaça à saúde, são indicativos de uma infecção passada ou recente, cauterizações de feridas na colo uterino  ou de irritação no colo do útero. Os cistos são mais comuns em mulheres em idade reprodutiva, especialmente naquelas que já tiveram filhos.

Embora nenhum sintoma que indique a sua ocorrência possa ser observado, ao exame ginecológico de rotina revela-se como um nódulo arredondado, pequeno e liso (isolado ou grupos) na superfície do colo uterino. Em raras ocasiões, um exame colposcópico faz-se necessário para distinguir os cistos de Naboth de outros tipos de lesões cervicais. Não existe método de prevenção conhecido.

Não é necessário nenhum tratamento. No entanto, os cistos não desaparecem espontaneamente. Podem ser facilmente removidos por meio de um procedimento chamado eletrocauterização, que pode ser realizado no consultório médico.

HPV NA MULHER : ENTENDA COMO OCORRE E SEUS ATUAIS TRATAMENTOS

hpv no colo uterino

À medida que os conhecimentos sobre o papilomavírus humano (HPV) avançam, abrem-se novas portas para entender e tratar mais adequadamente as lesões induzidas por este vírus. Sabe-se que a maioria das pessoas sexualmente ativas (mais de 75%) entra em contato com o HPV, mas que apenas uma minoria apresenta alguma repercussão clínica. Estudos atuais revelam que existe eliminação espontânea do vírus, através da ativação do sistema imune, em mais de 90% dos indivíduos infectados no período de 24 meses. Ambas as infecções por HPV de baixo e alto risco podem regredir espontaneamente sugerindo que o sistema imune responde aos dois grupos de vírus. O tipo de resposta imune do hospedeiro determina o curso da doença (persistência ou regressão), a extensão e severidade das lesões e o sucesso da terapia.

Até recentemente, o objetivo do tratamento da infecção clínica pelo HPV era a remoção da doença clínica e visível através da destruição dos condilomas com métodos destrutivos e/ou excisionais, não atuando diretamente na causa do problema, o HPV. Por este motivo, recorrências são freqüentes (30% a 50%) por meses ou anos devido à replicação viral que ocorre no tecido periférico à lesão tratada. Como o HPV é doença que se limita apenas à camada epitelial, não ultrapassando a membrana basal, a exposição imunológica primária deve ocorrer através dos mecanismos existentes nesta camada. Como a célula epitelial não é boa apresentadora de antígenos, o HPV permanece dentro dela sem ser reconhecido pelo sistema imune. Devido ao fato do HPV não causar lise ou morte da célula do hospedeiro, o vírus permanece isolado do contato de células do sistema imune (monócitos, células dendríticas e macrófagos) que iniciam o processo de reconhecimento imune. O atraso no reconhecimento da presença do HPV é o responsável pela natureza recalcitrante da maioria das lesões induzidas pelo HPV31.

Os eventos necessários para a indução da resposta imune ocorrem da mesma maneira em lesões induzidas por HPV de baixo e alto risco, e em lesões externas e internas (vagina, cérvice e ânus). Este processo ocorrerá espontaneamente em 20% a 34% dos indivíduos infectados, marcando o final de lesões clínicas aparentes. Em outros 60%, a destruição localizada e repetida dos condilomas por período de até um ano estimulará este processo levando a remissão clínica mantida. Entretanto, em aproximadamente 20% das lesões HPV-induzidas não existe resposta às terapias citodestrutivas, sendo as mesmas refratárias a tratamentos padrões12.

IMUNIDADE
A defesa contra organismos estranhos, como vírus e bactérias, é mediada pela imunidade inata e pela imunidade específica ou adaptativa.

A primeira resposta do organismo é a resposta inata não-específica, ou seja, aquela apresentada pelo indivíduo sob condições naturais, sendo independente do contato com o agente infeccioso. Quando um agente estranho penetra no organismo, ele é rapidamente identificado e eliminado sem o organismo nunca ter entrado em contato antes com o mesmo. No caso de infecções virais, o organismo possui uma substância chamada interferon que interfere com a progressão ou proliferação da infecção viral. A imunidade inata tem a função de proteger o organismo temporariamente até o desenvolvimento da imunidade adquirida ou adaptativa, que é mais específica e efetiva2.

A imunidade adquirida é composta pela imunidade humoral e celular, sendo que cada uma acarreta um tipo característico de resposta (ver Tabela 8.1). Basicamente, este tipo de imunidade é constituído por linfócitos, que possuem a propriedade de reconhecer e distinguir diferentes determinantes antigênicos. Existem três classes de linfócitos: B, T e “natural killer cells”. Diferente dos linfócitos B que produzem anticorpos, os linfócitos T não produzem, mas reconhecem e respondem a antígenos associados à superfície das células. Os linfócitos T são subdivididos em linfócitos T helper ou auxiliares (a maioria das quais expressa uma proteína de membrana denominada CD4) e linfócitos T citotóxicos (cuja proteína de membrana e denominada CD8). Os linfócitos T citotóxicos lisam células que produzem antígenos estranhos, como as infectadas por vírus e outros microorganismos intracelulares.

A terceira classe de linfócitos e representada pelas células T “natural killer”, que não possuem marcadores de membrana e são capazes de lisar células tumorais e células infectadas por vírus sem evidente estimulação antigênica24. As fases efetoras de ambas as imunidades (inata e específica) são em parte mediadas por hormônios protéicos chamados citocinas. Na imunidade inata, as citocinas efetoras são em grande parte produzidas por fagócitos mononucleares e provocam reações inflamatórias ricas em neutrófilos que tentam conter e/ou erradicar infecções microbianas. A maioria das citocinas da imunidade específica é produzida por linfócitos T ativados.

As células T produzem várias citocinas que servem primariamente para regular o crescimento e diferenciação de várias populações de linfócitos, e assim tem importantes papéis na fase de ativação da célula T-respostas imunodependentes. Outra função primordial das citocinas derivadas de células T é ativar e regular células inflamatórias, como fagócitos mononucleares, neutrófilos e eosinófilos. Estas citocinas derivadas de células T agem na fase efetora da imunidade mediada por células e são responsáveis pela comunicação entre as células do sistema imune e inflamatório.

De acordo com o tipo de atuação dos linfócitos helper, a resposta imunológica adquirida encontra-se dividida em dois principais braços, denominados de TH-1 e TH-2, onde predominam respectivamente a resposta celular ou a humoral24. A ativação das células TH-1 resulta em produção da citocina interferon-gama; esta ativa a fagocitose pelos macrófagos que passam também a produzir outra citocina, a IL-1. A IL-1, por sua vez, estimula as células TH-1 a produzirem IL-2, o qual estimula a replicação das células TH-1 cuja função é reconhecer os microrganismos infectantes, os antígenos específicos para as células T citotóxicas e os antígenos não específicos para as células “natural killer”. Conseqüentemente, a defesa contra a infecção ocorre através da ação combinada da fagocitose e citotoxicidade. A citocina interferon-gama também inibe a ativação das células TH-2. Contrariamente, a ativação das células TH-2 resulta na liberação de diferentes citocinas (IL-4, IL-5, IL-10). A IL-10 inibem em especial a ativação das células TH-1 e as três citocinas estimulam a produção de anticorpos pelos linfócitos B. Neste caso, a defesa contra a infecção se faz pelos anticorpos e não por células (Tabela 8.1).

A evidência acumulada indica que imiquimode e seus análogos modulam a resposta imune inata através da ativação das células dendríticas, macrófagos e outras células, via ligação com receptor Toll 7 (TLR_7) para induzir a síntese de IFN-a e citocinas pró-inflamatórias Th1(veja a Tabela 8.2).

A indução de citocinas é evidente dentro de duas horas após o tratamento e concentrações máximas são mensuradas aproximadamente oito horas após aplicação da droga. A primeira citocina detectada é o IFN-a, concentrações máximas foram alcançadas após oito horas e permanecem constantes até 24 horas. Concentrações de TNF, Il-1 e IL-6 também alcançam pico em oito horas, mas concentrações máximas são significativamente mais baixas do que aquelas alcançadas pelo IFN e IL-8.

IMIQUIMODE
Agentes imunomoduladores, como o imiquimode e o interferon, podem auxiliar no estímulo da resposta imune. O tratamento com imiquimode reduz a carga viral em mais de 90% e auxilia no desenvolvimento de memória imunológica, o que poderia auxiliar no combate a recidivas2.

O imiquimode, um modificador da resposta biológica, mimetiza o que ocorre na resposta imune normal quando o HPV é reconhecido pelo sistema imune. Este derivado imidazoquinolínico estimula vários braços da imunidade inata e adaptativa em resposta ao reconhecimento de antígenos do HPV, induzindo a secreção de citocinas pelos macrófagos e monócitos (interferon-alfa, interleucina tipo 1, 6 e 12 e fator de necrose tumoral), resultando em resposta dominante helper tipo 1. O interferon limita a reprodução de partículas virais de HPV e tem atividade antiproliferativa que diminui o crescimento de células infectadas pelo HPV. As citocinas promovem o acúmulo de monócitos, macrófagos e células dendríticas, e estas últimas quando ativadas promovem a apresentação do antígeno para a produção de células T citotóxicas HPV-específicas (CD8). As células T HPV-específicas e células “natural killer” matam as células infectadas pelo HPV. Os monócitos e macrófagos fagocitam o debris celular. Os efeitos combinados destas ações resultam em redução do tamanho da lesão e desaparecimento da mesma. A indução destas citocinas ocorre rapidamente após a aplicação do creme de imiquimode (6 a 8 horas), e acredita-se que altos níveis possam ser mantidos até por 16 semanas após aplicação do creme33.

Aprovado desde 1997 pelo FDA para o tratamento das verrugas anogenitais externas, imiquimode a 5% vem acondicionado em sachês. Cada sachê contém creme em quantidade suficiente para cobrir até 20 cm2 de pele lesada. Aplicar camada fina de imiquimode tópico a 5% sobre a área afetada três vezes por semana, antes de dormir, friccionando até que o produto desapareça completamente. Não ocluir o local de aplicação. Deixar o produto agir por seis a dez horas. Após esse período, remover o produto da área tratada lavando-a com água e sabonete suave. Aplicar em dias alternados. Lavar as mãos antes e depois da aplicação do produto. A técnica apropriada para administração da dose deve ser demonstrada pelo médico. O tratamento com imiquimode deve continuar até que haja total remissão dos condilomas acuminados anogenitais externos ou por até 16 semanas no máximo. Para aumentar a absorção em lesões queratinizadas pode-se orientar o paciente para tomar banhos prolongados e aplicar logo após a secagem do local.

Apesar das reações locais como eritema, prurido, descamação e edema serem freqüentes (50%), a queixa de dor local e incidência de reações sistêmicas (sintomas flu-like, cefaléia, coriza e mialgia) é muito baixa (< 3%). Acredita-se que estas reações, na maioria de intensidade leve a moderada e bem toleradas pelos pacientes, estejam ligadas à liberação de citocinas pró-inflamatórias que fazem parte do mecanismo de ação do imiquimode. Assim, o grau de intensidade do eritema e reação local da pele relaciona-se com a resposta clínica, geralmente desaparecendo dentro de duas semanas após suspensão do medicamento.

Na experiência do setor de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia do HC-FMUSP, as reações iniciam-se na maioria dos casos após duas semanas de tratamento e atingem um pico em quatro semanas, quando se inicia a regressão das verrugas. A regressão completa das lesões ocorre, em média, no período de oito a dez semanas. Geralmente as lesões localizadas na semimucosa (região vestibular) respondem mais precocemente em quatro a seis semanas. Em casos de condilomatoses extensas, a resposta é mais rápida e quase sempre acompanhada de reação adversa de maior intensidade. Em caso de reações locais mais intensas, pode-se suspender o tratamento por uma a duas semanas até melhora dos sintomas locais, e reiniciar logo em seguida. Observa-se nas pacientes com lesões concomitantes em vagina e cérvice e tratadas com imiquimode por lesões em vulva, resposta à distância com regressão parcial ou total da doença em vagina e cérvice além da resposta local na vulva.

O creme de imiquimode tópico a 5% pode ser usado como terapia de primeira opção (pacientes virgens de tratamento), terapia de segunda opção (paciente com múltiplas recidivas após terapia citodestrutiva) e como terapia combinada (associação de método citodestrutivo à imunoterapia). Independente da modalidade terapêutica escolhida, deve-se assegurar ao paciente que condilomas acuminados externos raramente se tornam malignos. Os médicos devem estar preparados para orientar os pacientes acerca de vários assuntos da esfera psicossexual relacionados à infecção pelo HPV.

Já se tem associado a vacina quadrivalente para o hpv  durante esse tratatamento , visto que seria uma garantia de memória imunológica para os hpvs 06/11/16/18 , os mais comuns , implicando em haver menos recidiva mesmo quando a paciente é exposta novamente ao vírus.

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